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Câmara estuda quem quer Viver (em) Lisboa
Luísa Botinas, DN, 05-02-2009
Está em curso desde Janeiro o mais alargado (80 mil questionários) estudo das dinâmicas residenciais em Lisboa. Por correio, ou online, a Câmara de Lisboa quer perceber o que leva as pessoas a escolher habitar em Lisboa. Objectivo: sustentar políticas urbanísticas e de habitação.

Há indícios de que, em algumas freguesias de Lisboa, certos bairros não estão a perder gente. Apesar da propalada desertificação do centro da cidade que se invoca desde os anos 80, há sinais de que esta tendência de perda de habitantes na capital poderá estar estabilizada ou mesmo a inverter-se.

Para aferir as dinâmicas residenciais, os seus contornos e as motivações, a Câmara Municipal de Lisboa está promover um inquérito alargado - Viver Lisboa - à população residente na cidade, bem como aos que trabalham na capital, apesar de habitarem fora dela. O resultados vão servir de base à definição de políticas urbanísticas e de habitação, por parte da autarquia.

Se vive ou trabalha em Lisboa pode com as respostas que der ao inquérito disponível online ou em papel (na sua caixa do correio ou no seu emprego) ajudar a caracterizar a situação actual. "Com este inquérito pretende-se conhecer melhor quem são, onde vivem, donde provêm e qual a sua percepção do local onde habitam, as pessoas que escolheram viver em Lisboa; e também perceber as motivações daquelas pessoas que residem nos concelhos vizinhos, mas trabalham em Lisboa e para ela se deslocam diariamente", disse ao DN Manuel Salgado, vereador responsável pelo pelouro do Urbanismo e pela iniciativa de lançar este estudo, através de Departamento de Planeamento Estratégico (DPE) que geriu toda a operação, com meios municipais.

É a mais ampla amostra populacional (80 mil inquéritos) que se procura avaliar, sublinha Manuel Salgado. Foram seleccionadas nove áreas da cidade de Lisboa, correspondendo às freguesias de Alvalade, Alcântara, Pena, Mercês, Santa Catarina, São João, Santa Maria dos Olivais, São Domingos de Benfica e Lumiar. Os critérios de escolha prenderam-se com a necessidade de obter dados sobre dinâmicas recentes da ocupação residencial em contraste com as novas urbanizações (Expo-Santa Maria dos Olivais), com as áreas históricas que estão a ser reocupadas (Bica- Santa Catarina) ou com as áreas que têm uma concentração de novos residentes por via da imigração (Pena ou São João).

Além dos residentes, estão também a ser inquiridos os não residentes na cidade mas que nela trabalham. "Recorremos a um conjunto de grandes empregadores (CML, banca, telecomunicações, EDP, EPAL, Sonae Distribuição), num universo de 20 empresas", acrescentou o vereador. O tratamento dos dados será feito pelo Centro de Estudos de Sistemas Urbanos e Regionais, do Instituto Superior Técnico (IST). "A articulação destes dados com o Plano Local de Habitação (PLH) será também fundamental", sublinha Teresa Craveiro, do DPE. O PLH, coordenado por Helena Roseta, aproveitará os dados resultantes do estudo para o desenvolvimento de "uma política coerente de habitação, operando também a acupunctura urbana, que pretende não ficar apenas pela definição das condições de habitabilidade, mas igualmente pela requalificação dos bairros, criando condições que aumentem a sua atractividade".

Por outro lado, em matéria de políticas urbanísticas, os dados do inquérito "serão fundamento para a definição de segmentos de oferta de habitação e, em sede de loteamentos ou planos de urbanização, e de proporções de fogos a custos controlados com vista à captação de novos residentes para Lisboa", disse Antunes Ferreira, do IST.