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Os blocos a demolir estão assinalados a amarelo
Demolições na antiga Zona J põem fim ao «corredor da morte»
Lusa e Sol, 04-03-2009

A Câmara de Lisboa aprovou hoje uma transferência de verba para a empresa que gere os bairros municipais para a demolição de oito lotes no bairro do Condado, o que permitirá eliminar o chamado «corredor da morte»

A proposta dos vereadores da Habitação, Ana Sara Brito (PS), e do Urbanismo, Manuel Salgado (PS), de transferência de três milhões de euros para a empresa que gere os bairros municipais, Gebalis, foi aprovada por unanimidade na reunião do executivo municipal.

A vereadora da Habitação congratulou-se com a aprovação da proposta que irá permitir concretizar uma reivindicação dos moradores e um «compromisso do executivo».

Ana Sara Brito explicou que as demolições irão terminar com uma espécie de rectângulo formado pelos prédios, com corredores estreitos e escuros, onde já foram mortos jovens em alegados ajustes de contas entre gangs rivais.

O chamado «corredor da morte» do bairro do Condado, antiga Zona J de Chelas, é um «factor de insegurança e de insalubridade» daquela zona, sublinhou a autarca.

«É um sítio cheio de dejectos, seringas, com um cheiro a urina nauseabundo, sem iluminação», descreveu.

Com as demolições, irá nascer um espaço ajardinado, com bancos e outro mobiliário urbano, e será igualmente realizado um «projecto de inserção» para os jovens do bairro, anunciou Ana Sara Brito.

Esse projecto incidirá na prevenção da toxicodependência e deverá ser concretizado numa parceria entre a autarquia, a Santa Casa da Misericórdia e instituições da freguesia.

As demolições de oito lotes implicam o realojamento de seis famílias, cujas futuras casas estão já disponíveis, explicou Ana Sara Brito.

A vereadora do movimento Cidadãos por Lisboa Helena Roseta, responsável pelo Plano Local de Habitação, considerou que as demolições no bairro devem constituir uma oportunidade para «aprender com os erros».

«Concordamos que sejam deitados abaixo estes lotes, mas achamos é que nunca deviam ter sido construídos. Vamos gastar três milhões de euros para deitar abaixo casas que se fizeram com dinheiro da Câmara nos anos 1980», argumentou.

Para o vereador comunista Ruben de Carvalho, as demolições são «fundamentais» e «já deviam ter sido feitas há anos».

«É justo e corresponde a uma aspiração das populações», disse.