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Taxas de juro
Prestação da casa caiu 25% num ano
Paula Cordeiro, DN, 01-04-2009

Em Abril, os portugueses que forem pedir crédito para comprar casa vão negociar a taxa de juro mais baixa de sempre: 1,7% para a Euribor a seis meses e 1,6% para o prazo a três meses.

Uma taxa que se traduz numa redução de 200 euros, para um empréstimo idêntico contratado há um ano atrás.

Em Abril de 2008, com a Euribor a seis meses nos 4,593%, uma família pagaria 813 euros pela prestação de um crédito de 150 mil euros, a 30 anos; no mês que hoje começa, o mesmo empréstimo resulta numa prestação de 614 euros.

Com a perspectiva de nova descida dos juros do BCE (ver texto em baixo), as taxas Euribor continuaram a sua queda diária, tendo fechado o mês de Março com os valores médios mais baixos de sempre. Face às médias registadas há um ano, a Euribor a seis meses caiu 61,3%, enquanto a queda em relação ao indexante a três meses registou 64,4%.

Pela primeira vez, os três prazos da Euribor mais usados no cálculo dos juros do crédito à habitação - três, seis e 12 meses - fecharam o mês de Março com médias abaixo de 2%. Face a Fevereiro, estes valores caíram 15,8% (Euribor a três meses) e 12,7% (Euribor a seis meses).

Mas esta queda acentuada dos juros não está a ter o correspondente reflexo nas taxas finais negociadas pelos portugueses que estão a contrair novos empréstimos. Isto porque os bancos têm vindo a agravar, de forma acentuada, os spreads praticados.

Actualmente, conseguir uma margem financeira abaixo de um ponto percentual é uma tarefa difícil, só acessível para clientes que ofereçam baixo risco e peçam um financiamento que corresponda a apenas 60% do valor da casa que estão a dar como garantia, o chamado loan to value (LTV).

Apesar de alguns bancos noticiarem spreads mínimos de 0,45 e 0,55 pontos, estes valores raramente se aplicam, garantem fontes do sector. Ou seja, se vai pedir um novo crédito e perante as actuais taxas, o mais provável é que o seu banco lhe ofereça uma taxa nominal em torno dos 2,7%. Mesmo assim, um valor nunca visto desde que existe crédito à habitação em Portugal.

E para quem já tem um empréstimo a decorrer, se a revisão de taxa ocorrer em Abril, a descida vai ser significativa.

A acrescer ao aumento das margens praticadas pelos bancos, há ainda o cada vez maior nível de cross-selling exigido entre o cliente e o banco. Seguros, cartões, domiciliação de vencimentos e até aplicações financeiras, tudo conta para poder ser concedido um empréstimo a um cliente, aumentando o seu relacionamento com o banco e reduzindo, desta forma, o seu perfil de risco. Com o agravamento do desemprego, muitos bancos passaram igualmente a agravar o risco dos clientes que trabalhem em sectores e empresas que atravessam dificuldades.

Como consequência deste enquadramento, os portugueses pedem cada vez menos crédito: em Janeiro, os novos empréstimos caíram para um terço do contratado em igual mês de 2008.