O arquiteto Álvaro Siza Vieira defendeu hoje, em Veneza, a necessidade de criar mais habitação social em Portugal “para as famílias que não conseguem ter acesso a casas”.
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“A habitação é um direito inscrito na Constituição Portuguesa”, sustentou, numa entrevista à agência Lusa a propósito da exposição “No Place Like – 4 houses 4 films”.
Nesta mostra da representação oficial de Portugal na 12.ª Exposição Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, que hoje inaugura ao público, foi incluído o projeto do bairro social da Bouça, no Porto, assinado por Siza Vieira.
O projeto foi iniciado nos anos 1970, teve três fases, e só viria a ser concluído 30 anos mais tarde, por várias razões, entre elas o contexto político do país.
Os outros três projetos incluídos pelo comissariado na exposição são casas unifamiliares assinadas pelos arquitetos Aires Mateus, Carrilho da Graça e Bak Gordon.
Passadas várias décadas, Siza Vieira considera que continua a fazer sentido criar programas de habitação social no país, no seu entender “indispensáveis”.
“O ideal seria que todas as famílias tivessem oportunidade para ter casa, mas quando isso não acontece, é fundamental existir habitação social”, defendeu, alertando que essa carência leva ao surgimento de muita habitação clandestina.
Quanto à particularidade da história do Bairro da Bouça, cuja conclusão foi difícil e demorada, observou que “deixou de ser original”.
“Atualmente há uma grande pressão para os arquitetos terminarem depressa os projetos, mas depois a construção demora muito tempo. Já é normal levar 10 e mais anos a estar concluída”, comentou o arquiteto nascido em Matosinhos em 1933.
Siza Vieira é o mais conceituado e premiado arquiteto português e o único a ter conquistado o Prémio Pritzker (1992) e o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza (2002).
Sobre o tema geral da exposição internacional de arquitetura da Bienal de Veneza – “People meet in Arquitecture” (As Pessoas encontram-se na Arquitetura” – considerou-o “muito justo”.
“É bem verdade. Todas as pessoas sofrem, por bem ou por mal, o sítio onde vivem, e todas falam de arquitetura. Falam até mais de arquitetura do que de saúde. Apesar de que a arquitetura não mata, pelo menos rapidamente…” ironizou.
Na exposição “No Place Like”, instalada na Universidade Ca Foscari, a obra de Siza Vieira é acompanhada pela exibição de um filme criado pela artista Filipa César.
A curta metragem conduz o espetador pelo bairro e arredores, revelando o seu enquadramento na cidade.
“Gostei muito do filme. Foi feito de forma muito clara, direta, sintética, mas ao mesmo tempo muito poética”, avaliou o arquiteto.