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Câmara não detectou novas barracas na cidade de Lisboa
Inês Banha , DN, 16-01-2013

Acção Polícia Municipal desmantelou ontem acampamento ilegal em Campolide. Comandante diz que existem casos em toda a capital e que tal "sempre aconteceu"
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A Câmara Municipal de Lisboa (PS) não identificou novas barracas na cidade no âmbito do levantamento que levou a cabo no final do ano passado. A informação foi dada ontem ao DN pela vereadora da Habitação, Helena Roseta, no dia em que a Polícia Municipal (PM) da capital desmantelou um acampamento ilegal sob o viaduto do Eixo Norte/Sul. Uma "acção de limpeza" que André Gomes, comandante daquela força de segurança, garantiu que acontece "de vez em quando" por todo o município, sem que a tendência tenha registado qualquer aumento ao longo dos últimos meses.

Quando ontem de manhã os agentes da PM chegaram ao acampamento situado junto à radial de Benfica não encontraram qualquer pessoa nas barracas de zinco montadas no local. Há ano e meio, recordou o presidente da Junta de Freguesia de Campolide, André Couto (PS), eram cerca de 20 as construções que ali existiam, altura em que foram desmontadas. Mas desde então que se têm sucedido "pequenas réplicas", seguidas de demolições regulares.

"É algo que tem sido recorrente", desabafou o autarca, adiantando que pediu "há pouco tempo" ao Ministério das Obras Públicas para vedar - com um "gradeamento forte" - o descampado que, por ser de difícil acesso e rodeado de vias rápidas, é "um sítio de esconderijo", sobretudo para imigrantes.

O caso não é único em Lisboa e tem merecido a atenção da PM que, "de vez em quando", tem realizado "acções de limpeza" para pôr fim a uma situação que é proibida pelos regulamentos municipais e que "sempre aconteceu". Ressalvando que não possui dados tratados sobre o fenómeno, André Gomes frisou que não tem percepção de que, ao longo dos últimos meses, se tenha verificado um aumento do número de acampamentos, montados principalmente por imigrantes romenos - "o que não quer dizer que não haja pessoas de outras nacionalidades".

A sensação, baseada na experiência, é confirmada pelo levantamento realizado no final do ano passado pelos serviços camarários. "Não se identificaram novas barracas", referiu Helena Roseta, que, devido à crise económico-financeira, chegou a temer o regresso dos bairros de lata à capital (ver caixa). "Mas temos de estar atentos", atirou a vereadora, salientando que a PM tem um papel importante nesse aspecto.

É que, para além de iniciarem o procedimentos legal obrigatório, os agentes daquela força de segurança encaminham também os casos que o justifiquem para os serviços sociais da câmara municipal e da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa. A autarca reconheceu, no entanto, que a tarefa se toma mais complicada quando em causa estão pessoas estrangeiras. "Claro que é difícil, porque não falam português e têm medo da polícia", explicou.

"É um jogo do gato e do rato", sintetizou o comandante da PM, lembrando que há alturas "mais propícias" do que outras para aparecerem novas construções rudimentares "debaixo de pontes ou viadutos". E, embora tenha admitido que possa vir a registar-se um aumento do número de casos devido à actual conjuntura social, André Gomes sustentou que o facto de se ter vindo a assistir um decréscimo de realização de grandes obras públicas pode ter ajudado a melhorar o problema. "Lembro-me há alguns anos, quando se construiu a Ponte Vasco da Gama, de ver destes bairros", exemplificou.

Ontem, não foi possível identificar quem vivia no acampamento junto à radial de Benfica. O mais provável, dita a tendência, é que voltem a construir noutro local.