Uma cerimónia de assinatura de protocolo e de contrato programa assinalou, no dia 9 de maio, a abertura de um novo espaço de atendimento público da Associação de Inquilinos Lisbonenses, no Fórum Lisboa (antigo Cinema Roma). O momento ficou marcado por fortes críticas à nova Lei do Arrendamento, que o presidente da Câmara, António Costa, considerou ter chegado "no pior momento".
O protocolo firmado por Romão Lavadinho, presidente da Associação dos Inquilinos Lisbonenses, e pelo presidente da autarquia, consagra a cedência do espaço enquanto o contrato programa, assinado pela vereadora Helena Roseta e pelo tesoureiro da AIL, Ramiro Silva, estabelece os termos do apoio do Município ao funcionamento deste posto de atendimento, que terá três funcionários permanentes.
Na ocasião, a vereadora Helena Roseta confidenciou que o ato concretizou "uma ideia de António Costa, imediatamente acolhida pela Associação dos Inquilinos", de modo a fazer face aos "problemas colocados pela nova Lei do Arrendamento, esclarecendo e apoiando os inquilinos". A vereadora destacou o facto de a proposta que aprovou este apoio em Reunião de Câmara ter alcançado unanimidade dos vereadores de todas as forças políticas. A importância deste local de atendimento é tanto maior porquanto se localiza numa zona da cidade onde predomina o arrendamento habitacional, embora a autarca admita que se deva verificar se muitos destes arrendamentos são no "regime de renda limitada e não de renda livre" para saber até que ponto a actual lei do arrendamento se lhes aplica. Seja como for, trata-se de "ajudar pessoas mais idosas e de rendimentos mais baixos, que não pensavam vir a defrontar-se com este problema do aumento das rendas nesta altura das suas vidas", concluiu Helena Roseta.
Romão Lavadinho, presidente da AIL, agradeceu aos presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal, António Costa e Simonetta Luz, e à vereadora Helena Roseta este "importante apoio" numa altura em que "centenas de pessoas formam fila na sede da Associação", na zona do Intendente, conforme "o presidente da Câmara pode constatar" na vizinhança do seu gabinete. Reafirmando a sua oposição à nova Lei do Arrendamento - "uma verdadeira Lei dos Despejos, e por isso incontitucional" - Lavadinho anteviu o problema do "aumento brutal das rendas", mesmo nesta zona de classe média e média alta mas "sem capacidade financeira par fazer face aos aumentos", problema se se levantará igualmente aos comerciantes, daqui a cinco anos, quando as rendas das lojas forem fixadas em 1/15 do seu valor patrimonial. Emocionado, o presidente da AIL, comentou as declarações da ministra Assunção Cristas, segundo as quais "não haverá problemas daqui a cinco anos", temendo que isso possa vir a ser verdade mas porque "ou acabaram os contratos ou morreram as pessoas".
Antecedendo a intervenção do presidente da Câmara, Simonetta Luz Afonso, presidente da Assembleia Municipal - que funciona neste edifício do Fórum Lisboa - garantiu que este órgão autárquico "acolheu de braços abertos na sua casa" esta iniciativa, porque a AML "tem o dever de se envolver" para fazer face à "situação dramática neste bairro que já foi jovem e hoje é o mais envelhecido".
Encerrando este ato inaugural, o presidente da Câmara, António Costa, recordando a firme oposição à nova Lei, considerou que "é difícil imaginar pior momento para mexer na Lei do Arrendamento". O autarca defendeu que a crise do crédito conduz necessariamente a uma "mudança de paradigma", com o abandono da prática de compra de casa e a adoção do arrendamento, pelo que esta "não era uma Lei necessária", mas que vem "criar instabilidade nos rendimentos e imprevisibilidade nas despesas das pessoas idosas". António Costa verberou também a componente do arrendamento comercial da nova lei, num período de perda do poder de compra, temendo que as lojas fechem e se assista à suspensão do investimento no pequeno comércio, face à ameaça de revogação dos contratos passados cinco anos.