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As carências sócio-urbanísticas do município.
Susana Oliveira, LUSA, 12-02-2009

O concelho de Lisboa precisa de sete centros de saúde para servir toda a população e há 12 freguesias sem qualquer creche pública, revelou hoje a vereadora Helena Roseta, num retrato que apresentou das carências sócio-urbanísticas do município.

Durante a apresentação do relatório preliminar do Programa Local de Habitação (PLH), a vereadora divulgou alguns dados sobre as carências socio-urbanísticas do município ao nível da saúde e do ensino, sublinhando que há sobreposição de problemas em urbanizações relativamente recentes como o Parque das Nações e a Alta de Lisboa.

"Foi talvez o que mais me surpreendeu. Ver que a sobreposição de carências não acontece apenas em zonas antigas. Há urbanizações novas onde estes problemas coexistem porque os nossos planos só policiam e não obrigam à construção dos equipamentos previstos inicialmente", afirmou.

Os dados revelados indicam que faltam em Lisboa sete novos centros de saúde e que 18 precisam de ser substituídas.
Uma das novas unidades de saúde a construir é precisamente para servir a urbanização do Parque das Nações, que em 2007 tinha cerca de 10.000 novos habitantes.

A Alta de Lisboa, uma das zonas de maior expansão da cidade, que recebeu após 2001 mais de 10.000 habitantes e onde poderão ainda viver mais cerca de 40.000 pessoas, é servida por instalações de saúde provisórias, em duas lojas.
De acordo com os dados recolhidos pela equipa do PLH, é ainda prioritária uma intervenção nas freguesias de Carnide (centro de saúde apenas cobre 25 por cento da população), Ameixoeira, servida pelo centro do Lumiar, e Campolide, onde os 15.000 habitantes são servidos pela unidade de saúde de Sete Rios.

Na área do ensino, há 12 freguesias de Lisboa sem qualquer creche pública e, para atingir uma taxa média de cobertura de 50 por cento, o concelho de Lisboa precisaria de 74 novas creches.
"Não é possível tentar captar população para Lisboa se depois não temos os equipamentos necessários", afirmou Helena Roseta, sublinhando a necessidade de apostar em planos e acção territorial, em que a própria autarquia chama os promotores para que as obras avancem.

Ao nível do ensino os dados revelados indicam que as freguesias mais carenciadas são a Ameixoeira/Galinheiras, Parque das Nações, S. Domingos de Benfica, Telheiras, Alto do Lumiar, Campolide e Olaias.
A Carta Educativa da cidade de Lisboa, aprovada em Dezembro, definia como acções prioritárias as escolas básicas (EB) das Galinheiras e do Parque das Nações, a EB1 + Jardim de Infância do bairro do Armador e de Benfica e os jardins de infância de Alvalade, Lumiar e Santa Maria dos Olivais.
Segundo os dados compilados pela equipa do PLH, a Câmara Municipal gastou entre 1997 e 2007 1.135 milhões de euros em políticas de habitação e reabilitação, mas entre 1991 e 2001 a cidade perdeu 100.000 habitantes.
O Instituto Nacional de Estatística estima que Lisboa continua em perda demográfica, ao ritmo de 10.000 habitantes por ano.