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Queremos Mudar o Bairro
Mais de cem candidaturas para projetos em bairros e zonas de intervenção prioritária
“É muito interessante ver as pessoas a organizarem-se e a fazerem parcerias. As instituições juntam-se e pedem para o bairro, o que não é muito comum em Portugal, onde geralmente cada um pede para si”, destacou Helena Roseta.
JH., Lusa, 05-04-2012

O programa de apoio a bairros e zonas de intervenção prioritárias (BIP/ZIP) de Lisboa para 2012 recebeu 106 candidaturas, orçadas em mais de 4,5 milhões de euros.
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As candidaturas à segunda edição do programa BIP/ZIP Lisboa 2012 – Parcerias Locais, que decorreram entre o início de março e a passada segunda-feira, registaram números superiores aos do ano passado: no total foram apresentados 106 projectos, mais 29 que na edição de 2011.
Em comparação com o ano passado, o valor total dos projectos quase duplicou: as 106 candidaturas têm um orçamento estimado em 4,688 milhões de euros, enquanto em 2011 os 77 projectos que concorreram estavam orçados em 2,664 milhões de euros.

Para Helena Roseta, “o drama” será agora seleccionar projectos no total de um milhão de euros, valor disponível no orçamento para a iniciativa. As candidaturas, adiantou a autarca, cobrem as 67 áreas da cidade identificadas como de intervenção prioritária.
Os BIP/ZIP abrangem 34 freguesias, onde foi identificada a necessidade de melhorar o ambiente urbano e as condições de vida dos cidadãos. O objectivo do programa é que estes bairros recebam pequenas intervenções propostas e executadas pelos candidatos, ao longo de dez anos, um conceito introduzido na proposta do novo Plano Director Municipal.

Este ano, 285 entidades – 101 promotoras e 184 parceiras - apresentaram propostas, face às 169 instituições que concorreram no ano passado. Entre as entidades encontram-se 27 juntas de freguesia.
“É muito interessante ver as pessoas a organizarem-se e a fazerem parcerias. As instituições juntam-se e pedem para o bairro, o que não é muito comum em Portugal, onde geralmente cada um pede para si”, destacou a vereadora.
Por outro lado, o programa BIP/ZIP é diferente do orçamento participativo, em que os cidadãos apresentam propostas para a Câmara de Lisboa desenvolver. Aqui, trata-se de uma verdadeira experiência comunitária, pois as entidades propõem e desenvolvem o projecto.
“Tenho a convicção profunda de que um milhão de euros vale muito mais nas mãos destas entidades do que na mão da Câmara”, considerou Helena Roseta, destacando “o muito que não é contabilizado” a nível financeiro, desde trabalho voluntário à “energia e tempo que são dedicados aos projectos”.
A vereadora recordou, como exemplo, o caso do Bairro Horizonte, no Beato, onde, com 50 mil euros, foi possível pintar o bairro inteiro.
“Onde é que com 50 mil euros se conseguiria pintar tudo?”, questionou, acrescentando que as instituições “conseguem preços e uma mobilização que a Câmara não consegue”.

Na primeira edição do programa, dos 77 projectos apresentados, a Câmara de Lisboa seleccionou depois 27 candidaturas, que custaram um milhão de euros.
Este ano, o júri do programa será composto por Luísa Schmidt, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e Teresa Ricou, do Chapitô, além de elementos efectivos da Câmara de Lisboa.